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quinta-feira, 24 de julho de 2014


CATARINA DA RÚSSIA
  Rússia de todos os Czares - RÚSSIA
 Antonio Carlos Gaio                       segunda-feira, 28 de outubro de 2002
A princesa Catarina não era russa e nem se chamava Catarina ao ascender ao trono da Rússia, resultado de um vácuo no poder em que a coroa passou por diversas mãos até cair no colo de Pierre de Holstein - Pedro foi tão Grande que não deixou sucessor. Ao casar-se com o sobrinho-neto de Pedro para freqüentar a corte russa, a Cinderela abandonou seu reino de “eu sou pobre, pobre, pobre, de marré, marré, marré, de si”, converteu-se à lei ortodoxa e aprendeu sua nova língua e tudo que concernia à Rússia.
Mal adivinhando que um dia iria alcançar um grande relevo de 1762 a 1796, ao dirigir a política expansionista da Rússia, conquistando a Criméia, Lituânia e Ucrânia, compartilhando a Polônia, guerreando a Turquia e explorando o estreito de Bering para caçadores russos se instalarem no Alasca em 1784.
É a doutrina do imperialismo, defende os interesses imperiais na aquisição territorial para fundar estabelecimentos e criar colônias, ou manter Estados sob sua proteção - que procuram disfarçar a submissão econômica, política e cultural -, estendendo seus domínios e autoridade a terras estrangeiras. A seu favor, a virgindade da Sibéria e da costa oeste americana. Contra, o pretexto de saídas para o mar na medida em que se expandia, afinal, a Inglaterra, rainha dos sete mares, já farejava a China.
Dotada de uma vontade de ferro e de uma energia sem limites, sua inteligência não tardou a se destacar de seu consorte, que bebia muito e mostrava que não tinha estofo para acompanhar sua rainha. Seis meses após a subida ao trono, Catarina o depôs com um golpe de estado e se fez nomear imperatriz da Rússia. Dez dias depois, o marido foi oportunamente assassinado no curso de uma briga de beberrões. Obra e arte de Grigori Orlov, esperto oficial da guarda do palácio, um dos amantes de maior prestígio da coleção memorável de Catarina, que recebeu o seguinte bilhete: “Dama soberana, ele não existe mais, o mal foi feito, mãezinha”.
Com 20 primaveras apenas, não se preocupava em esconder suas ligações que não eram perigosas nem extraconjugais. Mandou ajustar o uniforme da guarda para examinar com maior nitidez e clareza de propósitos o tamanho do membro de cada oficial. Sem ser bonita, ela possuía magnetismo, vitalidade e poder para abrir seu desejo e estimular o pretendente a desvendar seu mistério. Seus favoritos não tinham do que se lastimar. Ela casou-se com um deles, Stanislas Poniatowski, titular do trono da Polônia.
Ávida de poder, amava o aparato do qual se cercava ao colecionar coches. Para a sua coroação, encomendou uma coroa com 5 mil diamantes, 76 pérolas perfeitamente combinadas e um rubi de 399 quilates que pertenceu ao imperador da China. Tornada a coroa oficial para todas as cerimônias de coroações que se seguiram, era tão pesada que seus sucessores queixavam-se de dores na cabeça.
Não há como comparar os tesouros do czar com as jóias da rainha da Inglaterra, mesmo porque na guerra civil de 1642 que culminou na proclamação da República em 1649, Cromwell fora compelido a obter liquidez de todo o ouro com que o reino se banhava, para armar-se até os dentes na modernização de um absolutismo atrelado a uma gestão semifeudal na economia. O ouro agora viria do mar, importações somente a cargo da frota britânica, é através do comércio exterior que se travariam as futuras guerras de conquista de mercado. Como num complicado jogo de xadrez, avançaram a rainha para propiciar o xeque-mate em futuras colônias à mercê de uma pirataria que evoluía e se sofisticava.
Uma fortuna incalculável consumida em seus palácios e casas de campo fez de São Petersburgo uma imponente cidade, onde as casas em granito substituíram as primeiras casas de madeira. Catarina ampliou e embelezou, com o apoio de arquitetos estrangeiros, o Palácio do Inverno, surgindo a galeria Hermitage para alojar sua biblioteca e coleção de quadros, composta das mais belas peças que seus emissários traziam do estrangeiro. Cedo ela juntou 4 mil dentre os maiores pintores da Europa, como Rembrandt, Raphael, Van Dyck e Rubens. Mandou recolher todos os ícones de Rublev, desvalorizados e deteriorados, que se espalharam pelas casas de camponeses a enfeitar o lugar de patriarcas em mesa de refeições - lugar de honra cedido a estrangeiros ou idosos em visita.
Catarina se considerava herdeira espiritual de Pedro, o Grande, e se sentia responsável pela obra que havia criado. Culta, movida a paixões e ambições desmedidas, a déspota esclarecida foi a introdutora do feminismo na Rússia, do ponto de vista do exercício do livre jogo do sexo, a despeito do estado de czarina constranger e levá-la às últimas conseqüências na questão de diante de tanto poder o que fazer para se satisfazer. Perturbando as mulheres cansadas de serem satélites dos homens e que ganharam luz própria.
Esta intelectual possuíra uma cabeça reconhecida por ela mais masculina que feminina. Fascinada pela filosofia do Iluminismo, Voltaire e Diderot exerceram influência na corte com sua presença, em como o monarca governar conforme as exigências da razão e não segundo a vontade de Deus. Na regeneração da bondade no ser humano, em contrário senso à concepção da Igreja do homem pecador na essência. Teriam direitos naturais ao que os governos não poderiam escarnecer. Em pleno século XVIII, onde a servidão na Rússia estava longe de ser um veio exaurido a caminho da extinção, como no restante da Europa.
Os czares se encarregavam de perpetuar a servidão, ao recompensar àqueles que os serviram de forma exemplar, dando-lhes terras, incluindo todos os camponeses a ela vinculados. O prêmio ao servilismo como garantia de fidelidade e eternização dos privilégios imperiais. Todavia, muitos ainda viviam em condições que nada diferençava da escravatura. Conta-se que uma dama da corte encerrou seu cabeleireiro numa gaiola, a fim de que ele não abrisse a boca sobre sua calvície. Untavam as vastas cabeleiras para reter piolhos no pegajoso da gosma, e somente servos para recolhê-los.
Uma situação asquerosamente insuportável que levou cossacos, rudes guardiães das fronteiras do império, a se juntarem a outros dissidentes - servos, mineiros, monges e exilados políticos - e exigirem terras em revolta camponesa nos confins do Ural. Tiveram a veleidade de marchar contra o governo de São Petersburgo, aproveitando que as tropas imperiais estavam entretidas com a guerra russo-turca na Criméia. Catarina acerta apressadamente a paz com a Turquia, persegue-os, promove enforcamentos em todos os recantos que apoiaram a insurreição e abandona seus pruridos intelectuais ao interditar Voltaire.
Na sua escala de preferências, os amantes mais jovens começaram a ser contemplados. Se enrabicha pelo mais notável de todos, Grigori Potemkin. Um oficial da guarda, bem nascido, que distribuía diamantes às damas em recepções, cuja admiração ia desde o seu conhecimento do grego, latim, francês e alemão, até a imprudência de imitar sua pronúncia alemã, correspondida com o chamego de um “meu pavão”, “meu cossaco”, meu “faisão dourado”.
Potemkin se tornou o conselheiro mais ouvido, mesmo quando o ardor de sua paixão esfriou. Foi o artesão do reatamento da Criméia com a Rússia em 1783, importante para conseguir uma saída marítima através do Mar Negro. Catarina não se fazia de rogada, dispunha dele como o melhor amigo a ponto de escolher os seus amantes, retribuindo com a construção de um magnífico palácio em sua homenagem.
Quando Potemkin assentou portos e preparou uma frota para explorar o Mar Negro, reacendeu o estado de beligerância com a Turquia ao ameaçar a hegemonia otomana. A proposta expansionista prosseguiria com o czar Alexandre I, que anexou a Geórgia e a Finlândia, construiu fortes no Alasca e se estabeleceu na costa oeste da América até a Califórnia.
Ao morrer, Catarina legou um país de fronteiras mais amplas, exaurido por conta de suas extravagâncias com o recorde impressionante de 137 amantes, fora os que saltaram pela janela. Insatisfeita com os amantes, providenciou uma égua empalhada para que ela se enfiasse e atraísse cavalos trazidos pela guarda. Ao se mexer na posição adequada, fornicavam com ela. Tanto fez que acabou morrendo rasgada por um colossal membro. Como não podia deixar de ser, gerou herdeiros bastardos como Paulo, que governou 4 anos, 4 meses, 4 dias e morreu aos 44 anos.
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